Anacoreta - Letra

 

Capa do single Anacoreta da Azul Turquesa: representa uma galaxia com um relógio infinito, jogo de cores roxo e azul e a logo da Azul Turquesa com o título Anacoreta
Anacoreta (2023)

Anacoreta


Enquanto vivo em solitude

Eu me sinto cada vez mais

Presa a tua vaga quietude

Refém do teu amor fugaz


O tempo que aqui não corre

Causa o ponteiro do relógio

Pilha nossas almas para o norte

Imaculado amor simplório


No céu azul eu vejo estrelas

Na luz das estrelas eu vejo a nós

No amor diurno tua fraqueza

Lá no infinito estamos as sós 


Em meio as ondas, me seduz

Em ti que encontrei a farta luz 

Vencida à própria solidão

Taciturna estendes tuas mãos


"Desde que você me deixou

Memórias não são mais que cinzas 

O tempo aqui jamais passou

Viver é lembrar dores extintas"


O ponteiro que aqui não corre

Lá foge do vão de emoções

Lá nos astros projeto meus cortes

O planeta e suas rotações


O medo que me afaga o peito

Caprichosa última esperança

Sofrimento, caminho estreito

Espera póstuma, ode aliança


Meu amor alegre me comove

Sinto nostalgia na dor

Ao me injetarem remédios às nove

Sem me pedirem por favor

 

Eles chamam de esquizofrênicas

Por tudo que passamos juntas

Com tais bobagens acadêmicas

E suas religiões imundas


Nossa história não acabou

Sei que você não me esqueceu

Você sempre, sempre me amou

Estar só sempre me doeu


"Desde que você me deixou

Os dias não têm as mesmas cores

O canto do galo se calou

As comidas não tem sabores"


O ponteiro que aqui não corre

Lá foge do vão de emoções

Lá nos astros projeto meus cortes

O planeta e suas rotações


O medo que me afaga o peito

Caprichosa última esperança

Sofrimento, caminho estreito

Espera póstuma, ode aliança


"Eu até me recordo das noites

De quando ficávamos as sós

Fugindo, com medo do açoite

Mas eu amava ouvir tua voz


Daquele tempo de magias

De quando estávamos sedadas

Pelo céu que reluzia

O violeta em nossas estradas


Mas por que tudo isso  acabou?

Se em nenhuma ferida pisamos

Desde quando o padre chegou

Tal amor não mais encontramos


Tantas vezes tentei  fugir

Quantas vezes sonhei escapar


Lá no fundo escondo uma martir


Não pertenço a este lugar"


"Lá no fundo escondo uma martir

Não pertenço a este lugar"


O ponteiro que aqui não corre

Lá foge do vão de emoções

Lá nos astros projeto meus cortes

O planeta e suas rotações


O medo que me afaga o peito

Caprichosa última esperança

Sofrimento, caminho estreito

Espera póstuma, ode aliança


Ouça aqui


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